I told you I was trouble…

Peço desculpas pelo grande número de dias sem escrever. E pelos e-mails recebidos. Infelizmente, tive dias runs. Que não significaram exatamente uma crise, apenas alguns momentos de introspecção. Nestes momentos, nem mesmo para o blog consigo confessar “minhas coisas”.

Tenho convivido com outros bipolares pessoalmente (e não apenas virtualmente) e isto tem me feito muito bem. Mas me faz bem por um motivo mesquinho: é bom descobrir pessoas com mais problemas do que eu. Que tiveram crises mais graves que a minha. Que estão em um poço mais fundo que o meu.

A desgraça dos outros me reconforta. A desgraça dos outros me reconforta. A desgraça dos outros me reconforta. Vocês não tem noção de como eu tenho vergonha de escrever estas palavras. Mas me sinto tão perto da normalidade convivendo com estas pessoas…

Não quero o mal de ninguém. Não quero viver tragédias.

Mas me sinto bem por ser, por alguns segundos, taxada de “equilibrada” por ter feito merdas menos fedidas que as dos outros.

Tá, eu sou egoísta. Eu sou um péssimo ser humano.

Mas eu nunca disse que eu sou boa, não é?

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Inutilidade do dia – Cafeomancia

O site Bem Zen colocou no ar um leitor virtual de cafeomancia. É aquela técnica usada para descobrir o futuro através da borra do café. Dei até Ctrl + C >> Ctrl + V na definição da matéria original, pois não tem explicação melhor para isto mesmo.

Interessante mesmo foi o resultado da minha leitura virtual. Eu perguntei: vou ter paz? Ele me respondeu:

oraculo

Me peguei pensando se realmente é possível enxergar uma cama na borra de café real, em vez de questionar o aviso dos céus: você vai fazer merda.

Ah, que novidade!

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Brasil, mostra a sua cara…

Às vezes sinto vontade de revelar este meu “grande” segredo à todos. Como uma autentica revolucionária, quero ficar na frente dos meus diretores, colegas e funcionários, respirar fundo e gritar: EU ESTOU GRÁVIDA DE LUIS CARLOS PRESTES.

OK, não exatamente isto. Mas tenho vontade de falar de leve o que acontece comigo. Eu adoraria mostrar a minha cara ao falar todas estas coisas aqui. Justamente por ter sido usuária das mentiras bipolares, eu me sinto muito orgulhosa de cada linha de verdade que eu escrevo neste blog.

Mas, pensem comigo… Não é esquisito que eu tenha que me esconder para falar a verdade, e mostrar a cara para mentir?

E a principal: Será que se eu me revelar e me acharem, eu continuarei passando a mesma credibilidade profissional que hoje transmito?

Até que ponto estou deixando o medo vencer na minha vida?

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PS1: Fico muito feliz com cada e-mail que eu recebo. Sério, ganho o meu dia. Por favor, mandem mais! Comentem mais, me falem o que acham. Se me acham uma vaca louca, por favor me digam. Concordando ou não comigo, eu adoraria saber. Deixem um comentário só: “Oi Maria, estive aqui!”. Apenas para satisfazer a minha necessidade de atenção.

PS2: Se quiser publicar um texto aqui no blog, é só mandar para sbipolar@gmail.com

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O uso consciente da mentira

Todos tem vergonha de admitir que mentem. Já eu, admiro quem percebe que eu menti. Se no auge das minhas crises as mentiras eram gerais, hoje elas são bastante direcionadas.

Tenho um excelente emprego e um bom nome no mercado. E eu uso muito da mentira no mundo corporativo. Geralmente para extender prazos, ganhar vantagens e conseguir tempo para trabalhar em outros projetos fora da empresa que me contrata. Ou seja: minto para conseguir mais dinheiro.

Tenho um talento natural para criar situações, mudar opiniões e direcionar atitudes. A manipulação está no meu sangue.

Uso e abuso da manipulação no meio profissional. Funciona com perfeição, pois cheguei a um nível que aprendi a mentir sem prejudicar ninguém.

Mas só. Há muito tempo não tenho usado destas artimanhas na vida pessoal. O motivo é simples: não agrega nenhuma vantagem e me faz sofrer. Eu não sou uma puta sem coração. Tenho sentimentos fortes e concretos. Defendo com unhas e dentes quem está ao meu lado. E acabo com quem não está.

Eu tenho a mais absoluta certeza de que ninguém tem sucesso na carreira profissional sem usar destes artifícios. Bill Gates é conhecido por suas mentiras. Steve Jobs também. Só para citar dois… Certamente todos os poderosos do mundo usam esta tática.

É preciso enganar para sobreviver.

E se você é 100% honesto em seu ambiente de trabalho, é exatamente este o motivo pelo qual você não tem sucesso profissional.

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Recado Rápido

Atenção amigo “Mr. Jones”, que deixou recado para mim no Orkut: não consegui responder. Seus recados são bloqueados para quem não é seu amigo. Me deixa um comentário aqui com o seu e-mail ou manda uma mensagem no sbipolar@gmail.com

De antemão, agradeço a sua mensagem e digo que é realmente um grande alívio encontrar pessoas com problemas similares. Torna tudo bem mais fácil…

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Orgulhosos x Depressivos

Dos bipolares que conheci, a maioria se encaixa em dois tipos: o depressivo e o orgulhoso.

A ciclotimia funciona de uma maneira desequilibrada na minha vida. Foram muito maiores os períodos de hipomania (extremamente empolgada com o mundo e me sentindo o máximo) do que os períodos depressivos.  Eu só me lembro claramente de dois períodos depressivos, para ser bem honesta.

Entretanto, foi um período depressivo que me levou a procurar ajuda. Incomoda mais. Não tenho paciência e nem talento para lidar com pessoas extremamente depressivas. Suicídio jamais passou pela minha cabeça. Lembrem-se, sou a moça da hipomania: me acho maravilhosa demais para privar o mundo da minha presença! (Sim, arrogância é a mais bipolar das características humanas)

Com um grupo de terapia, aprendi a entender melhor os suicidas. E acredito que até livrei uma pessoa de algo pior.

Se hoje eu consigo entender os depressivos, não vejo como fazer o mesmo com os orgulhosos. Vejo gente que sente orgulho de ser bipolar e cita os portadores famosos: Virginia Woolf, Charles Dickens, Tolstoy, Edgar Allan Poe, Tchaikovsky, Mozart, Kurt Cobain, Marilyn Monroe… A lista é gigante!

Só que não sou atriz, não sou escritora, não sou cientista e não sei fazer música. Não estou fadada a fazer nada para o mundo me achar notável. Então, sentir orgulho por ser bipolar é meio que gozar com o pau dos outros.

Tá, talvez falte um pouco de orgulho pra mim. Mesmo porque, serei bipolar para o resto da minha vida. Não é uma situação passageira.

Mas ainda estou aprendendo… Paciência.

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Diga-me com quem andas…

Alguns tipos de pessoas podem estabilizar um bipolar: com calma, carinho, cuidado e pé no chão. Estas pessoas sempre pisam em ovos, pois o temperamento de um bipolar é explosivo. 

Entretanto, existe um outro tipo de pessoa que detona uma crise.

Na época do auge da minha crise maníaca, eu tinha um namorado que a alimentava. Ele desconfiava de muitas das minhas coisas e idéias, mas me apoiava em tudo. O motivos eram claros: isto trazia vantagens financeiras e sociais pra ele.

A equação era a seguinte:

Maria Bipolar = Namorado feliz, com grana no bolso e aventuras para viver e contar.

Maria Controlada = Namorado pobre, sem prestígio, eventos sociais ou amigos.

Meu ex-namorado então pegava carona na minha bipolaridade para tirar proveito de algumas situações. Quando alguns problemas apareceram, saltou fora se mostrando uma vítima das situações que eu criava. Convenceu a todos os leigos do cenário “vítima”: eu era o monstro bipolar que destruiu a vida e a dignidade dele. Não respeitou a mim ou à minha privacidade.

Não existem vítimas ou culpados nesta história. Vergonha deveria sentir a pessoa que se aproveita de um doente para obter vantagens. Infeliz e covarde o bipolar que culpa a doença por todas as merdas que fez.

Mas uma coisa eu digo: ninguém faz merda sozinho. Se você é um bipolar e se identifica com alguma coisa daqui, pense direito nas pessoas que te cercam. Veja quem é o seu “agente detonador”. E o elimine imediatamente. Sem esta ação, você jamais terá uma cura. Nunca encontrará nenhuma paz.

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