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Ainda aqui

Mesmo sem escrever muito, percebo pelas estatísticas de visita deste diário que tenho visitantes fiéis. E eu fujo daqui como um covarde foge dos próprios problemas. Meu principal defeito é justamente este: a covardia. Equilibrada, tenho medo que as pessoas voltem a notar minhas imperfeições.

Tenho reagido agressivamente a problemas. Sempre fui uma pessoa de natureza agressiva, mas me parece que a minha intolerância aumentou muito. Busco nos meus relacionamentos mais próximos a imperfeição que sou incapaz de oferecer ou atingir. E como não consigo, exijo. E quando exijo e não consigo, fico agressiva. Violenta até em alguns momentos.

Sinto que sou uma bomba que só precisa de um sopro para estourar.

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Voltei

Mais de um ano sem posts, por um motivo simples:

Estou estável há mais de um ano.

Mas voltei a escrever aqui, graças a enorme quantidade de comentários e e-mails que tenho recebido de vocês.

Ainda hoje, voltem!

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Supersonic – Oasis

É uma banda que eu gosto muito. Mas desde que iniciei o meu tratamento, que comecei a ficar equilibrada, eu deixei de escutá-los. O motivo é simples: eles escreveram as letras mais bipolares do planeta. Muitas das canções deles me parecem a descrição de uma pessoa em mania. Esta, particularmente, é uma coisa tão bipolar que me deixa angustiada e com uma centena de  lembranças agradáveis e desagradáveis.

Deixo aqui a letra original e a tradução.

Quem for bipolar e ler isto aqui, vai me entender.

I need to be myself
I can’t be no one else
I’m feeling supersonic
Give me gin and tonic
You can have it all but how much do you want it?
You make me laugh
Give me your autograph
Can I ride with you in your B.M.W ?
You can sail with me in my yellow submarine
You need to find out
‘Cos no one’s gonna tell you what I’m on about
You need to find a way for what you want to say
But before tomorrow
‘Cos my friend said he’d take you home
He sits in a corner all alone
He lives under a waterfall
No body can see him
No body can ever hear him call
You need to be yourself
You can’t be no one else
I know a girl called Elsa
She’s into Alka Seltzer
She sniffs it through a cane on a supersonic train
She made me laugh
I got her autograph
She done it with a doctor on a helicopter
She’s sniffin in her tissue
Sellin’ the Big Issue
She needs to find out
‘Cos no one’s gonna tell you what I’m on about
She needs to find a way for what she wants to say
But before tomorrow
‘Cos my friend said he’d take you home
He sits in a corner all alone
He lives under a waterfall
No body can see him
No body can ever hear him call

Eu preciso ser eu mesmo
Eu não posso ser ninguém mais
Eu estou me sentindo supersônico
Me dê gin e tônica
Você pode ter tudo isso, mas o quanto você quer isso?
Você me faz rir
Me dê o seu autógrafo
Eu posso ir com você no seu B.M.W.?
Você pode velejar comigo em meu submarino amarelo
Você precisa descobrir
Porque ninguém vai lhe contar o que eu sei…
Você precisa descobrir um jeito para se expressar
Mas antes de amanhã
Porque meu amigo me disse que levaria você para casa
Ele senta em um canto sozinho
Ele mora debaixo de uma cachoeira
Ninguém pode vê-lo
Ninguém pode lhe ouvir chamar
Você precisa ser você mesmo
Você não pode ser ninguém mais
Eu conheço uma garota chamada Elsa
Ela está no Alka Seltzer
Ela cheira isto por uma cana em um trem supersônico
Ela me faz rir
Eu peguei o autógrafo dela
Ela fez isso com um doutor em um helicóptero
Ela está cheirando em seu tecido
Vendendo o Grande Assunto
Ela precisa descobrir
Porque ninguém vai te dizer o que eu sei
Ela precisa descobrir um jeito para se expressar
Mas antes de amanhã
Porque meu amigo me disse que levaria você para casa
Ele senta em um canto sozinho
Ele mora debaixo de uma cachoeira
Ninguém pode vê-lo
Ninguém pode lhe ouvir chamar

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Você tem medo do quê?

Parei para pensar esta noite: o que realmente me afasta deste blog? Tenho outros blogs: três para ser exata. Cada um de um assunto diferente, mas os três são atualizados com bastante regularidade.

Este aqui é o meu blog nu. Sou eu no meu estado mais puro. Sem máscaras ou disfarces.

Porque eu tenho tanto medo de você, querido blogzinho bipolar?

Tenho medo de admitir minhas falhas? Tenho vergonha da minha doença? Tenho pavor das minhas lembranças? Quais destes motivos me deixaram um mês afastada daqui?

Porque às vezes eu sento nesta cadeira com tantas perguntas que já sei a resposta?

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Lembranças

Cada dia que passa eu tenho novas lembranças dos meus momentos de crise. Dos momentos de mania, para ser mais específica. Nunca tive grandes períodos de depressão.

Passando por uma praça me lembro de um acontecimento em particular. Eu arrumei emprego em uma grande empresa, com um excelente salário. Me lembro até o valor: sete mil e quinhentos reais, com todos os benefícios como CLT.

Durei três meses neste emprego. Fui sumariamente demitida por não aparecer no trabalho todos os dias. Na época, eu estava em minha maior crise de mania: não pensava direito, estava eufórica, completamente fora da realidade e totalmente paranóica: eu não ia ao trabalho porque achava que estava sendo perseguida e que o trabalho poderia vir até mim.

Eu me sentava nesta praça, abria o caderno ou a agenda e escrevia, escrevia, escrevia. Escrevia sobre temas do trabalho, sobre temas da vida. Às vezes saia da praça para almoçar, às vezes não. Se alguém me telefonava durante o dia eu informava que o escritório era muito perto da janela. Como justificativa para o barulho de crianças, carros e pássaros à minha volta.

Nunca soube se meus empregadores da época perceberam o meu descontrole. Eles sabiam que havia algo errado comigo, mas julgaram que eu estava em uma crise de stress.

Hoje em dia convivo com um colega da época, que sempre me fala: você era outra pessoa.

Queria muito falar para ele: aquela pessoa não era eu.

Ou será que, em crise, nós assumimos a nossa verdade identidade? Sem pudores e responsabilidades?

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Alucinações da madrugada

Tive uma noite esquisita.

Sempre me falaram que o sono é fundamental para a recuperação e saúde mental. Como eu tenho dormido oito, nove horas por dia, tenho me sentido bem.

Mas esta semana dormi pouco. De três a quatro horas por noite. Esta última madrugada, esta falta de boas noites de sono teve a sua primeira consequência: alucinações.

Tomei meus remédios às 22h e não fui dormir. Por volta das três horas da madrugada, comecei a ver o meu cachorro em dois lugares diferentes. Uma pessoa sentada ao meu lado. Objetos que não estavam realmente lá.

Tive uma alteração da percepção. Algo como uma sobreposição de imagens “ao vivo” com imagens “gravadas”. Como se eu tivesse processando duas coisas ao mesmo tempo;

Percebendo que eu alucinava, eu parei de trabalhar e fui me deitar. Alguém já teve algum problema assim? Mesmo tomando os medicamentos?

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O décimo quarto

Este é o décimo quarto post deste blog em quase um mês, o que dá quase uma média de 1 a cada dois dias. Acho que é um bom começo para um blog iniciante.

Tenho muito a dizer, mas acho que estou em uma fase bastante calma da minha vida. É impressionante como é mais fácil arrancar nossas lamentações e dúvidas sobre o distúrbio quando estamos depressivos, não é?

Eu não estou depressiva. Não estou eufórica. Estou normal e controlada.

Vejo que mesmo em minha fase normal, carrego comigo a angústia de portadora. É impossível eu passar o dia inteiro sem lembrar que isto existe, que isto está dentro de mim. Sinto culpa por ter machucado pessoas que não estão mais na minha vida. Sinto ódio por não ter machucado pessoas que mereciam o meu desprezo. Tenho muitos sentimentos, muitos pensamentos.

E o beber para esquecer? Faço. Mas não com frequência. Todos sabem do perigo da combinação remédios + alcool. Eu não acreditava nele, até sentir alguns efeitos colaterais bastante indesejados: chapar demais, dormir demais, tremer demais… Não recomendo.

Para a merda com a terapia: não está me ajudando em nada a eliminar estes pensamentos.

O que eu deveria fazer?

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