Archive for November, 2008

Supersonic – Oasis

É uma banda que eu gosto muito. Mas desde que iniciei o meu tratamento, que comecei a ficar equilibrada, eu deixei de escutá-los. O motivo é simples: eles escreveram as letras mais bipolares do planeta. Muitas das canções deles me parecem a descrição de uma pessoa em mania. Esta, particularmente, é uma coisa tão bipolar que me deixa angustiada e com uma centena de  lembranças agradáveis e desagradáveis.

Deixo aqui a letra original e a tradução.

Quem for bipolar e ler isto aqui, vai me entender.

I need to be myself
I can’t be no one else
I’m feeling supersonic
Give me gin and tonic
You can have it all but how much do you want it?
You make me laugh
Give me your autograph
Can I ride with you in your B.M.W ?
You can sail with me in my yellow submarine
You need to find out
‘Cos no one’s gonna tell you what I’m on about
You need to find a way for what you want to say
But before tomorrow
‘Cos my friend said he’d take you home
He sits in a corner all alone
He lives under a waterfall
No body can see him
No body can ever hear him call
You need to be yourself
You can’t be no one else
I know a girl called Elsa
She’s into Alka Seltzer
She sniffs it through a cane on a supersonic train
She made me laugh
I got her autograph
She done it with a doctor on a helicopter
She’s sniffin in her tissue
Sellin’ the Big Issue
She needs to find out
‘Cos no one’s gonna tell you what I’m on about
She needs to find a way for what she wants to say
But before tomorrow
‘Cos my friend said he’d take you home
He sits in a corner all alone
He lives under a waterfall
No body can see him
No body can ever hear him call

Eu preciso ser eu mesmo
Eu não posso ser ninguém mais
Eu estou me sentindo supersônico
Me dê gin e tônica
Você pode ter tudo isso, mas o quanto você quer isso?
Você me faz rir
Me dê o seu autógrafo
Eu posso ir com você no seu B.M.W.?
Você pode velejar comigo em meu submarino amarelo
Você precisa descobrir
Porque ninguém vai lhe contar o que eu sei…
Você precisa descobrir um jeito para se expressar
Mas antes de amanhã
Porque meu amigo me disse que levaria você para casa
Ele senta em um canto sozinho
Ele mora debaixo de uma cachoeira
Ninguém pode vê-lo
Ninguém pode lhe ouvir chamar
Você precisa ser você mesmo
Você não pode ser ninguém mais
Eu conheço uma garota chamada Elsa
Ela está no Alka Seltzer
Ela cheira isto por uma cana em um trem supersônico
Ela me faz rir
Eu peguei o autógrafo dela
Ela fez isso com um doutor em um helicóptero
Ela está cheirando em seu tecido
Vendendo o Grande Assunto
Ela precisa descobrir
Porque ninguém vai te dizer o que eu sei
Ela precisa descobrir um jeito para se expressar
Mas antes de amanhã
Porque meu amigo me disse que levaria você para casa
Ele senta em um canto sozinho
Ele mora debaixo de uma cachoeira
Ninguém pode vê-lo
Ninguém pode lhe ouvir chamar

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Você tem medo do quê?

Parei para pensar esta noite: o que realmente me afasta deste blog? Tenho outros blogs: três para ser exata. Cada um de um assunto diferente, mas os três são atualizados com bastante regularidade.

Este aqui é o meu blog nu. Sou eu no meu estado mais puro. Sem máscaras ou disfarces.

Porque eu tenho tanto medo de você, querido blogzinho bipolar?

Tenho medo de admitir minhas falhas? Tenho vergonha da minha doença? Tenho pavor das minhas lembranças? Quais destes motivos me deixaram um mês afastada daqui?

Porque às vezes eu sento nesta cadeira com tantas perguntas que já sei a resposta?

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Lembranças

Cada dia que passa eu tenho novas lembranças dos meus momentos de crise. Dos momentos de mania, para ser mais específica. Nunca tive grandes períodos de depressão.

Passando por uma praça me lembro de um acontecimento em particular. Eu arrumei emprego em uma grande empresa, com um excelente salário. Me lembro até o valor: sete mil e quinhentos reais, com todos os benefícios como CLT.

Durei três meses neste emprego. Fui sumariamente demitida por não aparecer no trabalho todos os dias. Na época, eu estava em minha maior crise de mania: não pensava direito, estava eufórica, completamente fora da realidade e totalmente paranóica: eu não ia ao trabalho porque achava que estava sendo perseguida e que o trabalho poderia vir até mim.

Eu me sentava nesta praça, abria o caderno ou a agenda e escrevia, escrevia, escrevia. Escrevia sobre temas do trabalho, sobre temas da vida. Às vezes saia da praça para almoçar, às vezes não. Se alguém me telefonava durante o dia eu informava que o escritório era muito perto da janela. Como justificativa para o barulho de crianças, carros e pássaros à minha volta.

Nunca soube se meus empregadores da época perceberam o meu descontrole. Eles sabiam que havia algo errado comigo, mas julgaram que eu estava em uma crise de stress.

Hoje em dia convivo com um colega da época, que sempre me fala: você era outra pessoa.

Queria muito falar para ele: aquela pessoa não era eu.

Ou será que, em crise, nós assumimos a nossa verdade identidade? Sem pudores e responsabilidades?

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