Archive for October, 2008

Alucinações da madrugada

Tive uma noite esquisita.

Sempre me falaram que o sono é fundamental para a recuperação e saúde mental. Como eu tenho dormido oito, nove horas por dia, tenho me sentido bem.

Mas esta semana dormi pouco. De três a quatro horas por noite. Esta última madrugada, esta falta de boas noites de sono teve a sua primeira consequência: alucinações.

Tomei meus remédios às 22h e não fui dormir. Por volta das três horas da madrugada, comecei a ver o meu cachorro em dois lugares diferentes. Uma pessoa sentada ao meu lado. Objetos que não estavam realmente lá.

Tive uma alteração da percepção. Algo como uma sobreposição de imagens “ao vivo” com imagens “gravadas”. Como se eu tivesse processando duas coisas ao mesmo tempo;

Percebendo que eu alucinava, eu parei de trabalhar e fui me deitar. Alguém já teve algum problema assim? Mesmo tomando os medicamentos?

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O décimo quarto

Este é o décimo quarto post deste blog em quase um mês, o que dá quase uma média de 1 a cada dois dias. Acho que é um bom começo para um blog iniciante.

Tenho muito a dizer, mas acho que estou em uma fase bastante calma da minha vida. É impressionante como é mais fácil arrancar nossas lamentações e dúvidas sobre o distúrbio quando estamos depressivos, não é?

Eu não estou depressiva. Não estou eufórica. Estou normal e controlada.

Vejo que mesmo em minha fase normal, carrego comigo a angústia de portadora. É impossível eu passar o dia inteiro sem lembrar que isto existe, que isto está dentro de mim. Sinto culpa por ter machucado pessoas que não estão mais na minha vida. Sinto ódio por não ter machucado pessoas que mereciam o meu desprezo. Tenho muitos sentimentos, muitos pensamentos.

E o beber para esquecer? Faço. Mas não com frequência. Todos sabem do perigo da combinação remédios + alcool. Eu não acreditava nele, até sentir alguns efeitos colaterais bastante indesejados: chapar demais, dormir demais, tremer demais… Não recomendo.

Para a merda com a terapia: não está me ajudando em nada a eliminar estes pensamentos.

O que eu deveria fazer?

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I told you I was trouble…

Peço desculpas pelo grande número de dias sem escrever. E pelos e-mails recebidos. Infelizmente, tive dias runs. Que não significaram exatamente uma crise, apenas alguns momentos de introspecção. Nestes momentos, nem mesmo para o blog consigo confessar “minhas coisas”.

Tenho convivido com outros bipolares pessoalmente (e não apenas virtualmente) e isto tem me feito muito bem. Mas me faz bem por um motivo mesquinho: é bom descobrir pessoas com mais problemas do que eu. Que tiveram crises mais graves que a minha. Que estão em um poço mais fundo que o meu.

A desgraça dos outros me reconforta. A desgraça dos outros me reconforta. A desgraça dos outros me reconforta. Vocês não tem noção de como eu tenho vergonha de escrever estas palavras. Mas me sinto tão perto da normalidade convivendo com estas pessoas…

Não quero o mal de ninguém. Não quero viver tragédias.

Mas me sinto bem por ser, por alguns segundos, taxada de “equilibrada” por ter feito merdas menos fedidas que as dos outros.

Tá, eu sou egoísta. Eu sou um péssimo ser humano.

Mas eu nunca disse que eu sou boa, não é?

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